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23/05/2017

A Praça da Concórdia

fotografia Moacir Pimentel


Moacir Pimentel
Os europeus e especialmente os franceses adoram caminhar. Caminhar é uma atividade democrática e igualitária e o caminhante está aberto a tudo o que ele cruza: paisagens e pessoas. Eu aprendi a caminhar no velho mundo, a caminhar durante horas, a caminhar o dia todo, a descobrir cidades caminhando-as, passo após passo, olhar afiado e coração aberto.
Para quem aprecia a atividade Paris é a cidade ideal para flanar - este verbo tão francês que começou a ser conjugado na metade do século XIX por aqueles que queriam observar, captar as mudanças da cidade, percorrer suas passagens, se deter nos detalhes urbanos, nos passantes e nas curiosidades.
Caminhar da Galerie Vivienne através dos jardins no Palais Royal, atravessando a Cour Napoléon e passando pela pirâmide do Louvre. Cruzar a Pont du Caroussel e passar pelos bouquinistes no Quai Voltaire antes de percorrer a Rue du Bac e mergulhar no sétimo arrondissement. Fazendo uma escala para beliscar os maravilhosos doces da Pâtisserie des Rêves.
Caminhar pelos mercados, pelos parques, pelos bulevares, pela Avenue des Champs Élysées que divide os jardins em duas metades ajudada por uma rotunda chamada de Rond-Point, que além de servir de intersecção é simplesmente mais um jardim mutante: as flores da primavera o deixam com uma ambiência que já não é mesma no verão e os canteiros impecáveis continuam se metamorfoseando pelo outono adentro até a apoteose final: a decoração do Natal.
Caminhar por essa parte inferior da avenida, que é muito arborizada e cerca como uma moldura verde o Grand Palais e o Petit Palais, dois ótimos  museus construídos para a Exposição Universal de 1900, e vizinhos do Palais de l'Élysée, a sede da Presidência da República francesa que também nos acena solenemente à beira da avenida.
E seguir caminhando e apreciando o exterior exuberante do Grand Palais que combina uma imponente fachada em estilo neoclássico com uma profusão de ferro trabalhado em estilo Art Nouveau. O esplêndido teto de vidro é decorado, nos quatro cantos, com colossais estátuas de de bronze de cavalos alados.
fotografia Moacir Pimentel

Passar em frente ao Grand Palais, e entrar no Petit Palais que abriga o Museu das Artes Decorativas. Disposto em volta de um belo jardim e de um pátio circular o edifício tem colunas jônicas, um grande pórtico e uma cúpula que é prima legítima da dos Invalides. Mas o que vale a pena mesmo é caminhar para ver o acervo da casa: quadros, pinturas, móveis, objetos de arte medievais e renascentistas e do século XVIII, além de obras de Coubert, Ingres e Delacroix.
A partir daqui, dos palácios, é um pulo verde até a Place de la Concorde. 
fotografias Moacir Pimentel


E passear por ela é uma delícia! Bem no seu centro mora, desde 1836, o famoso Obelisco de Luxor, do alto de seus 3.300 anos de idade, levado que foi para Paris desde o Egito como um presente do Rei Egípcio Méhémet Ali para o Rei Luís Felipe I.
Se você a visita com calma, prestando atenção, se chega perto, chega também à conclusão de que La Concorde é uma das praças mais belas da cidade e toma uma injeção de século XVIII na veia. Pois esse espaço octagonal de dimensões majestosas, no coração de Paris, já foi palco de vários eventos históricos importantes e teve uma vida agitada.

           Batizada, quando da sua criação, de Praça Luís XV, quando veio a Revolução de 1789 foi rebatizada de Praça da Revolução, e nela a guilhotina executou o filho do seu primeiro homenageado, o rei Luís XVI,  a rainha Maria Antonieta e mais um punhado de gente, incluindo os mesmos que condenaram à morte a família real. Depois foi de novo batizada como Place de La Concorde para celebrar a reconciliação das forças políticas sob o Diretório.
Na montagem fotográfica chamo atenção para uma das duas fontes douradas que ladeiam o Obelisco e que todos acreditam serem iguais. Não é verdade ainda que ambas celebrem as águas. A fonte ao norte teve por tema a navegação fluvial e suas figuras representam os rios franceses Reno e Ródano além das culturas da uva e do trigo. Já a fonte ao sul ecoa a navegação marítima com esculturas que representam a pesca e o mar Mediterrâneo.
O que mais?
Novamente caminhar até o tesouro arquitetônico, lá no fundo de uma das fotos da montagem e à esquerda do Obelisco: a Igreja de Sainte-Marie-Madeleine, mais informalmente chamada de a Madalena e famosa pelas linhas de clássico templo grego, pelos esplêndidos relevos do frontispício e, no verão, pelos concertos de música sacra ao por do sol, que também já não são mais como os de antigamente.
Quem entra no Jardin des Tuileries caminhando pelos portões dourados da entrada que encara a Place de la Concorde, vindo dos Champs-Élysées, mergulha na atmosfera serena de um lugar que a palavra “agradável” por si só não é suficiente para traduzir.
À beira do muro que separa a praça do Jardin des Tuileries se pode ver tanto a Place de la Concorde - e ao longe a Torre Eiffel! - quanto o imenso jardim que começa com duas rampas - o Fer a Cheval - em forma de ferradura que descem para encontrar a primeira de suas piscinas, a famosa Bacia Octagonal. E à distância já se pode adivinhar toda a verdura do parque se estendendo até o Arche du Carroussel e em seguida, o Louvre. 
fotografias Moacir Pimentel

E depois é só virar à direita e caminhar poucos metros para se estar no terraço do Museu da Orangerie, um dos lugares que mais aprecio no vasto mundo por causa das suas salas, imensas e ovaladas e feitas sob medida para servir de moradia para uma série de pinturas gigantescas de nome Nymphéas, que retratam os nenúfares do jardim de Monet em Giverny, pintadas por ele incansavelmente durante trinta anos.
Mas dos lírios d’água falaremos depois de caminharmos pelo Jardim das Tulherias em uma outra conversa...


15 comentários:

  1. Mônica Silva23/05/2017, 09:45

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    1. Moacir Pimentel24/05/2017, 08:36

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  2. Wilson Baptista Junior23/05/2017, 10:56

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    1. Moacir Pimentel24/05/2017, 08:40

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  3. Flávia de Barros23/05/2017, 11:26

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    1. Moacir Pimentel24/05/2017, 08:44

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    2. Moacir Pimentel24/05/2017, 08:48

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    1. Moacir Pimentel24/05/2017, 08:59

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  6. Márcio P. Rocha23/05/2017, 20:25

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    1. Moacir Pimentel24/05/2017, 09:02

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  7. Francisco Bendl24/05/2017, 07:15

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    1. Moacir Pimentel24/05/2017, 09:16

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